Conheça os integrantes da Residência Artística CasaCorpo – Lívia Bertges

Lívia Bertges é a terceira convidada do ciclo de apresentações dos residentes que vivenciam a experiência CasaCorpo, contando sobre a sua trajetória pessoal e artística, e também sobre a atuação na residência.

Lívia, que é pesquisadora, escritora e apaixonada por literatura, conta pra gente sobre a sua trajetória pessoal e profissional e também sobre a atuação na residência que vem ocorrendo desde janeiro de 2020 no Ateliê Livre de Arte da UFMT.

Para Lívia, em decorrência do afastamento social imposto pela pandemia Covid-19, a temática estudada, advinda de uma palavra também híbrida, CasaCorpo, reafirma o conceito como ainda mais vivo e sedento por palavras para descreve-lo e compreende-lo.


“O corpo é uma paisagem SEM FIM” – Composição visual de Lívia Bertges.

Lívia por Lívia

Sou apaixonada pela literatura desde a infância quando integrei o grupo Contadores de Histórias, mediado por Laura Delgado, no Colégio Metodista Granbery.

O projeto me ensinou a ler, escutar e praticar as mais belas histórias da literatura em todos os gêneros, me ensinou a sentir as palavras e a expressa-las corporalmente. A prática de contar histórias vem das reuniões em família, dos almoços de domingo na casa da avó e até mesmo de cafés com meu avô recitando Camões ou Olavo Bilac. As marcas da arte das palavras sempre estiveram latentes minha vida.

O convívio com os livros, com cadernos – pequenos ou grandes –, com as artes plásticas, com as artesanias de minha mãe e avó, me indicaram o caminho da beleza, da sensibilidade e do afeto com os detalhes.

“Escrevo como quem coleciona olhares”, 2020.

A escrita para mim é um espaço de confronto, ao mesmo tempo, um local em que me sinto segura para expressar as incoerências, os medos e, sobretudo, os incômodos. Dos diários, bilhetes, cartas, cartões postais, sutilmente me achei na poesia. Ainda me preparo para narrar. Enquanto a obrigação se misturou com o desejo, formei-me em Letras/Literatura, fiz dois mestrados com enfoque em Literatura, um em Langues et Cultures Etrangères (Université Stendhal, 2012)e outro em Estudos Literários (PPEL/UFMT, 2015), momento tal que atuei como docente substituta no Departamento de Letras da UFMT.

Sorbonne Université – Wikipédia, a enciclopédia livre
Sorbonne Université (Paris, França) –

Hoje sou doutora em Estudos Literários (PPGEL/UFMT) com estágio doutoral na Sorbonne Université (Paris, França), onde participei da organização de eventos sobre produção Literária brasileira contemporânea, e resolvi me entregar de vez à escrita, acredito que tenha renascido, ou melhor, aceitado a Lívia escritora neste momento, em 2017. Com grande incentivo de amigos como, o professor e poeta Leonardo Tonus, a escritora Natasha Centenaro e também o poeta Matheus Guménin, todos são grandes referências para mim, a chama das palavras é realimentada como um pacto comigo mesma.

Lívia Bertges. Foto: http://www.ruidomanifesto.org

À convite do Matheus, passei, em 2018, a fazer parte do corpo editorial da Revista Digital Ruído Manifesto, uma revista editada em Mato Grosso, por escritores e artísticas que residem ou nasceram no estado, a ideia é manter a circulação das produções artríticas locais em diálogo com o restante do Brasil. Nos anos de dedicação à vida acadêmica, minha pesquisa sobre poesia visual contemporânea, brasileira e francesa, ganhou corpo e fez transito mais intenso interartes, o que me aproximou cada vez mais das artes visuais.

A imagem pode conter: 3 pessoas, incluindo Lívia Bertges e Ruth Albernaz Silveira, pessoas sorrindo, pessoas em pé e área interna
Lívia Bertges e Ruth Albernaz. Foto: Facebook.

Foi assim que conheci pessoalmente a artista Ruth Albernaz, mais especificamente em um curso de curadoria no Sesc Arsenal, em 2018. Com grande afinidade passamos a trocar com frequência, sonhamos muitas vezes realizarmos juntas uma Residência Artística em que pudéssemos experimentar metodologias e pesquisas em artes híbridas, conviver e experimentar afinidades por meio da arte. Em 2019, passei a integrar o coletivo Maria Taquara – Mulherio das Letras (MT), movimento nacional de incentivo à escritas mulheres, com elas aprendi e continuo aprendendo a força das palavras, a força do mover em conjunto, a força de escrever, ainda que seja um movimento de confronto e tão necessário.

Participação no projeto “Procura-se” do Coletivo Coma a fronteira em parceria com a Revista Pixé, 2019.

Ganhei forças para continuar na escrita poética, continuo e continuo. Integrada em ações que visam a produção e difusão literária, publiquei poemas, escrevi artigos sobre poesia visual em diversas revistas.

Lívia a esquerda. Foto: Pedro Duarte.

No fim de 2019, nos preparávamos para começar a Residência Artística CasaCorpo, finalmente aquele desejo de 2018 ganhara sopro em 2020, no Ateliê Livre de Arte do MACP/UFMT. Para além do estudo de uma temática específica, nosso intuito é propor uma metodologia de residência artística baseada no afeto, no experimento e na hibridação das linguagens artísticas.

Imersão CasaCorpo em Chapada dos Guimarães, lapidação de tijolos. Créditos Pedro Duarte, 2020.

A busca por este complexo objetivo alinha-se a necessidade de pesquisa em tal área, portanto, montamos uma equipe de residentes com formações diferentes áreas do conhecimento para podermos juntos contribuir de maneira transdisciplinar. Como pesquisadora e escritora sinto-me privilegiada em participar e aprender com a Residência CasaCorpo, pois são raras as oportunidades de podermos ocupar um espaço histórico, como é o caso do Ateliê Livre de Arte do MACP/UFMT, e poder propiciar discussões metodológico-críticas com sensibilidade e técnica visando as produções artísticas.

Em janeiro, tive a oportunidade de mediar uma roda de conversa sobre o tema casa sob a perspectiva fenomenológica e filosófica de Gaston Bachelar, um momento de partilha de conhecimentos e também de afinarmos o olhar para as imagens poéticas que compõem a vida, em uma poética da casa e da vivência. Em meio ao isolamento social, do qual agora passamos, a temática estudada, advinda de uma palavra também híbrida, CasaCorpo, reafirma o conceito como ainda mais vivo e sedento por palavras para descreve-lo e compreende-lo.

Escrever, escrever, eis a minha missão diária, seja uma palavra ou linhas a perder de vista. Nossa casa é o nosso mundo e o nosso corpo a morada. Gosto de partilhar. É uma palavra resumo para vida, na minha perspectiva.

Lívia Bertges

Imersão CasaCorpo em Chapada dos Guimarães, fabrico de tijolos. Créditos Pedro Duarte, 2020.


Esta pesquisa e experiência com a Residência CasaCorpo, em tempos tão delicados e difíceis, me é esperança, me é possibilidade de reflexão, me é espera curativa por dias melhores. No momento, aguardo assumir o cargo de Professora Substituta de Língua Portuguesa no Departamento de Letras da UFMT.


Publicações de poemas em revistas e sites:
http://ruidomanifesto.org/sete-poemas-de-livia-bertges/
http://ruidomanifesto.org/dois-poemas-de-livia-bertges/ https://www.revistapixe.com.br/copia-obras-de-marta-cocco
https://www.divanizecarbonieri.com.br/comentario-ao-poema-trajetoria-livia-bertges/
http://www.tyrannusmelancholicus.com.br/poesia/11208/livia-bertges
http://www.periodicos.ufc.br/entrelaces/article/view/31573
https://gazetadepoesiainedita.blogs.sapo.pt/livia-bertges-rente-55633

Edição Revista Pixé – Especial Mulherio das Letras – Organização e participação de Lívia Bertges
https://13011a14-c689-4003-beab-0f24cf53dfd2.filesusr.com/ugd/dd13ef_46dc784becee446e8c85d387a7844107.pdf

Leitura do poema “Lama” no programa de rádio Quinta Maldita, Literatura e Crise
https://amaitepoesias.blogspot.com/2019/05/literatura-crise-quinta-maldita.html?view=flipcard

Leitura e audiovisual do poema “Astronauta” de Divanize Carbonieri
https://www.divanizecarbonieri.com.br/astronauta-poema/

Currículo Lattes
http://lattes.cnpq.br/7232076292693714


Thania Arruda, Lívia Bertges, Ruth Albernaz e Pedro Duarte.

O projeto da Residência Artística CasaCorpo é Coordenado pela artista visual Ruth Albernaz e tem como tema central o transbordamento de linguagens, resultado da aproximação das artes híbridas dos residentes Lívia Bertges, Reinaldo Mota, Pedro Duarte e Carla Renck.

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